sábado, 9 de julho de 2011

Uma, duas, três voltas...

Naquele dia, ela tinha pressa de chegar em casa acelerava o passo ao longo que passava pelo corredor, na cabeça ela sabia que eles iam se encontrar, sentia forte o seu cheiro, seu hálito deixava ela tonta, era um gosto bom que vinha da sua boca.
Achou melhor ligar no seu celular, chamou uma, duas, três... Inúmeras vezes nada pensou que ele pudesse esta ocupado no trabalho, dormindo, com outra quem sabe, não, achou melhor não pensar naquelas besteiras. Entrou no carro, ligou o som, a música tocava algo de Chico, algo que ele escutava e porém nada que tivesse marcado os dois, mais ela lembrou como ele dançava engraçado, como era lindo o seu sorriso quando ficava envergonhado, trânsito ruim àquela hora, nada podia estragar aquele momento.
Chovia tanto la fora, havia uma tempestade ali dentro, era a intensidade de seus atos e palavras que os separaram e a essa mesma intensidade lhe jogaram pra longe dele, pensava em tudo que podia dizer era mais seguro continuar, seguir sua vida, ele fazia parte dela era preciso ser dito.
Entrou em casa, correndo, pensou no que vestir por algum motivo não havia nada que na lembrança dela era a marca do que ele mais gostava, pegou qualquer coisa, banheiro, um sanduíche, no relógio marcavam 20hs.
Então ela esperou, o telefone ao seu lado,a alma presa num cigarro e encharcado de uma dose mal colocada de whisky, não resistiu o ligou, mais uma vez nada, mais duas vezes e o silêncio, doía, o silêncio a maltratava.
Então um sinal de fogo invade a tela do seu celular: N vou poder te ver hj n. Outro dia a gente se vê. Bjao.
Ela viu as letras dele ali, ouviu a sua voz naquelas duas frases tão curtas...
Os passos se tornaram mais lentos, da sala pro quarto ela viu a chuva parar la fora e a tempestade continuar la dentro.
Não era a primeira vez, uma, duas, três indas e vindas, e a quarta? Hora de apagar o cigarro e ouvir um disco do Chico, deixa a quarta por conta do acaso.
Que ele não demore tanto pra chegar.